CASTRAÇÃO DO CÃO





. assepsia da zona cirúrgica

2. acesso cirúrgico


. exerese manual do testículo

44. incisão na túnica vaginal


. incisão no ligamento

6. elevação do testículo


. sutura no plexo pampiniforme

8. sutura com fio absorvível


. remoção do testículo

10. fecho da pele 1


1. fecho da pele 2

12. penso


3. recobro pós-cirúrgico



Castração do cão

A esterilização dos animais de companhia é um assunto que frequentemente suscita discussões em Portugal e países mediterrânicos. Os proprietários recusam a intervenção cirúrgica considerando uma mutilação, um acto irreversível que mudará o comportamento do seu animal. É sempre preciso relembrar que um cão é um animal, que reage como animal e deste feito não sentem de modo algum todas as coisas ou os eventos como nós. Um cão é na maioria dos casos estimulado pelo instinto e pelas hormonas. Este facto é bem evidente no comportamento sexual: o cão possui uma actividade sexual relativamente a um estímulo exterior (presença de cadela em cio). Afastado das fontes de estimulação sexual, todo o interesse reprodutor desaparece.
     Por isso, é errado acreditar que um cão necessita, para o seu equilíbrio geral, de estar “inteiro”, ainda mais que a maioria dos cães não castrados viverão sem contacto físico com uma fêmea….por causa dos proprietários não concordantes com a castração. Um cão pode viver a vida em companhia de fêmeas, que o tornarão hiper-excitado. Pena, termos de lhe administrar um tratamento hormonal para o acalmar. A solução mais eficaz e a menos arriscada para a futura saúde do cão é a castração cirúrgica. O ideal seria operar o cão antes da puberdade, isto é por volta de 6-7 meses em raças pequenas e por volta de 10-12 meses nas raças grandes.


Riscos médicos acrescidos nos cães não-castrados

Trata-se particularmente de problemas testiculares e prostáticos

Os tumores testiculares são poucos frequentes no cão, atingem mais frequentemente os cães com testículos anormais, em particular quando um testículo fica no abdómen.

Se o cão for monorquídeo (um só testículo no local) ou criptorquídeo (nenhum testículo no local), aconselhamos a operação mais precoce. Acresce o risco de desenvolver um tumor e suportará mais facilmente a cirurgia em jovem e de boa saúde.

 Hiperplasia prostática benigna, apesar dessa designação, não é uma patologia que se deve descurar com tanta facilidade. De facto, a libertação de hormonas masculinas leva a um aumento demasiado importante do volume da próstata com as seguintes repercussões:

 Dificuldade para o cão defecar (tenesmo). Sofre de constipação crónica com repercussões a nível de cólon, recto ou do ânus.

 Uma pressão permanente da próstata sobre o uréter que favorece as cistites.

 Um risco acrescido de infecções da próstata (abcessos) causada pela hipertrofia.

 Não esqueçamos os riscos de acidentes de viação e os ferimentos por lutas entre cães, que são superiores nas fugas, frequentes nos cães não castrados!

 Para finalizar, como sabem, a esterilização impede a reprodução, não existindo por isso, ninhadas não programadas diminuindo drasticamente assim os abandonos.


Características comportamentais do cão inteiro

 No período de cio, os cães não castrados são indomáveis e buscam constantemente escapar em busca da “sua amada”. As fugas são frequentes e levam na maioria dos casos a lutas, mordidelas e acidentes na estrada.

Se os machos estão em presença de uma fêmea, tornam-se desobedientes, procurando constantemente o contacto físico. Esta situação é um sinal de hiperactividade sexual de origem hormonal e é penosa para os proprietários que não os ousam soltar.

Os cães machos castrados são frequentemente mais calmos. Perdem o interesse por cadelas em cio se a castração foi efectuada cedo. A marcação de território é fortemente reduzida pela castração.


 Modificações fisiológicas provocadas pela castração

 

Combater a algumas noções acerca das modificações comportamentais e físicas do cão castrado:

  Efeitos sobre o crescimento: Uma ideia errada.

A castração antes da puberdade não leva a nenhum atraso de crescimento, pelo contrário tem mesmo tendência ao prolongar o crescimento para além da puberdade porque a ausência de hormonas sexuais atrasa a ossificação das cartilagens de crescimento (zona de crescimento ósseo).

  Efeitos sobre o peso e as doenças associadas à obesidade: a vigilância é imperativa!

A esterilização desencadeia modificações na gestão das despesas energéticas no cão. Uma vez esterilizado, o cão possui menos necessidades energéticas. Por outro lado, é menos activo: é necessário que seja restrito o aporte calórico, quer seja diminuindo a quantidade de comida distribuída, quer seja através de dieta comercial. Não hesitem em perguntar informações ao seu médico veterinário.

 Os dois a três meses que seguem a castração são fundamentais. É durante este período crítico que o nosso cão está propenso a um aumento de peso.

 A obesidade é responsável por alterações na vida do cão: o excesso de peso torna-o mais calmo, o cão apresenta menos interesse por actividade mais intensa. Cabe ao proprietário restabelecer uma actividade regular após a castração.

 Para além disso, a obesidade no seu cão aumenta a predisposição para determinadas doenças, entre as quais:

  Patologias cardíacas.

  Claudicações: o excesso de peso sobre as articulações aumenta o risco de lesões nestas (luxação da rótula; ruptura dos ligamentos cruzados)

  Problemas cutâneos (alergias)


 Efeito benéfico sobre o envelhecimento

 Os cães castrados possuem um modo de vida calma e algumas patologias são praticamente eliminadas. Viverão por isso mais tempo e melhor, em particular devido a uma alimentação equilibrada e adaptada.


Conclusão

Recomendamos a castração do vosso cão entre os 6 e 12 meses conforme o tamanho se não o desejarem para reprodução e podem fazê-lo sem nenhum remorso de consciência.


Agradecimentos

 

Ao “Patusco” que agora terá uma vida mais longa e mais tranquila!

Ao seu dono, Luís Gonzaga Filipe, pela amabilidade da divulgação das fotos elaboradas na cirurgia.

 

Maria Paula Ribeiro

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