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A
esterilização dos animais de companhia é um
assunto que frequentemente suscita discussões em Portugal e
países mediterrânicos. Os proprietários recusam a
intervenção cirúrgica considerando uma
mutilação, um acto irreversível que mudará
o comportamento do seu animal. É sempre preciso relembrar que um
cão é um animal, que reage como animal e deste feito
não sentem de modo algum todas as coisas ou os eventos como
nós. Um cão é na maioria dos casos estimulado pelo
instinto e pelas hormonas. Este facto é bem evidente no
comportamento sexual: o cão possui uma actividade sexual
relativamente a um estímulo exterior (presença de cadela
em cio). Afastado das fontes de estimulação sexual, todo
o interesse reprodutor desaparece. ● Os tumores testiculares são poucos frequentes no cão, atingem mais frequentemente os cães com testículos anormais, em particular quando um testículo fica no abdómen. ● Se o cão for monorquídeo (um só testículo no local) ou criptorquídeo (nenhum testículo no local), aconselhamos a operação mais precoce. Acresce o risco de desenvolver um tumor e suportará mais facilmente a cirurgia em jovem e de boa saúde. ● Hiperplasia prostática benigna, apesar dessa designação, não é uma patologia que se deve descurar com tanta facilidade. De facto, a libertação de hormonas masculinas leva a um aumento demasiado importante do volume da próstata com as seguintes repercussões: ● Dificuldade para o cão defecar (tenesmo). Sofre de constipação crónica com repercussões a nível de cólon, recto ou do ânus. ● Uma pressão permanente da próstata sobre o uréter que favorece as cistites. ● Um risco acrescido de infecções da próstata (abcessos) causada pela hipertrofia. ● Não esqueçamos os riscos de acidentes de viação e os ferimentos por lutas entre cães, que são superiores nas fugas, frequentes nos cães não castrados! ● Para finalizar, como sabem, a esterilização impede a reprodução, não existindo por isso, ninhadas não programadas diminuindo drasticamente assim os abandonos. No período de cio, os cães não castrados são indomáveis e buscam constantemente escapar em busca da “sua amada”. As fugas são frequentes e levam na maioria dos casos a lutas, mordidelas e acidentes na estrada. Se os machos estão em presença de uma fêmea, tornam-se desobedientes, procurando constantemente o contacto físico. Esta situação é um sinal de hiperactividade sexual de origem hormonal e é penosa para os proprietários que não os ousam soltar. Os cães machos castrados são frequentemente mais calmos. Perdem o interesse por cadelas em cio se a castração foi efectuada cedo. A marcação de território é fortemente reduzida pela castração.
Combater a algumas noções acerca das modificações comportamentais e físicas do cão castrado: ● Efeitos sobre o crescimento: Uma ideia errada. A castração antes da puberdade não leva a nenhum atraso de crescimento, pelo contrário tem mesmo tendência ao prolongar o crescimento para além da puberdade porque a ausência de hormonas sexuais atrasa a ossificação das cartilagens de crescimento (zona de crescimento ósseo). ● Efeitos sobre o peso e as doenças associadas à obesidade: a vigilância é imperativa! A esterilização desencadeia modificações na gestão das despesas energéticas no cão. Uma vez esterilizado, o cão possui menos necessidades energéticas. Por outro lado, é menos activo: é necessário que seja restrito o aporte calórico, quer seja diminuindo a quantidade de comida distribuída, quer seja através de dieta comercial. Não hesitem em perguntar informações ao seu médico veterinário. Os dois a três meses que seguem a castração são fundamentais. É durante este período crítico que o nosso cão está propenso a um aumento de peso. A obesidade é responsável por alterações na vida do cão: o excesso de peso torna-o mais calmo, o cão apresenta menos interesse por actividade mais intensa. Cabe ao proprietário restabelecer uma actividade regular após a castração. Para além disso, a obesidade no seu cão aumenta a predisposição para determinadas doenças, entre as quais: ● Patologias cardíacas. ● Claudicações: o excesso de peso sobre as articulações aumenta o risco de lesões nestas (luxação da rótula; ruptura dos ligamentos cruzados) ● Problemas cutâneos (alergias) Os cães castrados possuem um modo de vida calma e algumas patologias são praticamente eliminadas. Viverão por isso mais tempo e melhor, em particular devido a uma alimentação equilibrada e adaptada. Recomendamos a castração do vosso cão entre os 6 e 12 meses conforme o tamanho se não o desejarem para reprodução e podem fazê-lo sem nenhum remorso de consciência.
Ao “Patusco” que agora terá uma vida mais longa e mais tranquila! Ao seu dono, Luís Gonzaga Filipe, pela amabilidade da divulgação das fotos elaboradas na cirurgia.
Maria Paula Ribeiro
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